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8 de jul. de 2016

Mousse de Cranberry

Mousse de Cramberry

Final de semana chegando e bate aquela vontade de comer doce. Brigou com o namorado, a namorada, ... tá estressado!!! Sobrecarga de trabalho... Quem nunca se deparou com isso? Nessas horas você abre a geladeira ou armário e procura algo para comer e nada de achar. Vai preparar um jantar especial e não tem mais tempo de fazer a sobremesa...
Guardem esta dica. Com ela podem fazer muitas outras coisas e ainda fazer bonito. Quem disse que precisa ser complicado ou caro para ser bom?

Primeiro vamos explicar um processo básico para que entendam a técnica, desta forma podem inventar suas próprias receitas e ficar um expert nesta técnica. Vamos começar falando sobre leite. Isso mesmo! poxa, sou alérgico a lactose! Não tem problema, no mercado já temos muitos derivados de leite sem lactose, portanto sem desculpas. Como sabemos o leite tem gordura em sua composição, o que é muito importante para que tenhamos os demais derivados, como nata, creme de leite, manteiga, iogurte,... além disso conhecemos o processo de aglutinação do leite quando tem contato com algo ácido, o que chamamos de "coalhar", não deixa de ser um tipo de fermentação.
Que bonito tudo isso! Pois bem, vamos usar como base de nossa sobremesa o creme de leite.

Creme de leite, se formos ao mercado vamos encontrar muitas variedades, principalmente o famoso Creme de Leite Fresco. O que vai variar entre os tipos de creme de leite é o teor de gordura. O creme de leite fresco tem um pouco mais de gordura e é exatamente por isso que ao batermos, o mesmo fica aerado e produzimos o Chantilly. Já está começando a ficar gostoso. Porém, o creme de leite fresco, costuma ser um pouco mais caro e nem tão fácil de encontrar em alguns mercados. Agora já temos no mercado alguns cremes que não chegam a ter a mesma quantidade de gordura, mas tem mais que os mais tradicionais, alguns estão chamando o mesmo de creme de leite Gourmet e vou deixar a dica para vocês no final do Post para que possam buscar o mesmo. Se não achar um desses, podem utilizar o tradicional de latinha, desde que tirem o soro, porém não vai ter o mesmo resultado. (dica para tirar o soro da lata é gelar o creme de leite e quando estiver bem gelado, virem a lata ao contrário e abram a mesma. O soro vai estar separado. Basta jogar o soro)

Ingredientes:
  • 200 ml Creme de Leite com teor de gordura acima de 30%.
  • 100 g de Cramberry desidratado ou tipo passa.
  • 1/2 xícara de Calda de cereja tipo marrasquino
  • 1/2 limão (apenas o sumo peneirado)
  • 50 g de açúcar (ou 3 colheres de sopa cheias)
  • 200 ml de água
Modo de preparo:
  • Primeiro vamos preparar a calda. água, Cramberry, sumo de limão. Juntar tudo e deixar cozinhar por pelo menos 15 minutos. Completar a água ao final na mesma proporção, adicionar a calda de Marrasquino e o açúcar e voltar a ferver, até chegar na consistência de uma calda rala. Deixar esfriar. Verificar a dica para Calda no final do post.
  • Em um Ball (refratário redondo), adicionar o creme de leite, (gelado de preferência) e adicionar 4 colheres de sopa da calda e bater com um fuê, ou batedor (pode fazer o processo em um processador de alimentos ou até mesmo a batedeira), o creme vai ganhando volume e ficando denso. A acidez da calda vai reagir com o creme de leite. Quando tiver com a consistência de creme leve, pode adicionar e misturar os cramberrys cozidos (deixar uma colher de sopa reservada para decoração).
  • Por em um ramequim (refratário pequeno geralmente de porcelana) ou em uma taça de boca larga. por cima do creme, espalhar os Cramberrys que reservamos e por cima de tudo, o restante da calda. Deixar na geladeira até o momento de servir.
Dicas:
  • Para termos este vermelho mais intenso, caso queira, pode adicionar a calda, apenas uma gota de corante culinário vermelho em gel. Isto será necessário se quiser um resultado estético de maior contraste. Não recomendo usar, se não conhecer se seu convidado tem alergia. Melhor prevenir que ir ao hospital. O mais importante é o sabor. Sempre!
  • Pode fazer este mesmo processo com frutas ácidas, como limão, tangerina, maracujá,...
  • Daremos uma segunda opção feita com Maracujá e uvas que fica muito bom.
Serve 1 pessoa




7 de jul. de 2016

Linguine com Marisco Fresco

    Se tem algo que me faz feliz é comer algo que no mundo gastronômico é chamado de Confort Food (comida de conforto). Sabe aquele prato que se come e ao terminar nos sentimos felizes? Isso mesmo! Isto graças a nossos hormônios que são ativados, nos trazendo felicidade. Junte isso a uma memória afetiva e criamos uma bomba. A maioria destes pratos contém carboidratos e açúcar. Por isso devemos ter moderação...

    Este prato especificamente retrata o mediterrâneo europeu, região da Itália e países vizinhos, cercado pelo mar e boas comidas e bebidas. Come-se quase tudo que venha das águas salgadas e geladas. Comparadas ao nosso país de águas quentes e onde boa parte das capitais do país concentram-se em seu litoral banhado pelo atlântico, temos um contraste significativo, porém banhado pelo mesmo oceano.  Sabores frescos e intensos nos aguardam, principalmente quando andarmos na região nordeste do Brasil.

Linguine com Marisco Fresco

    Era verão na Bahia e minha turma decidiu seguir para o litoral norte, conhecido como linha verde, a estrada que delineia o litoral; seguida de várias praias sendo uma bem próxima da outra. Neste trajeto repleto de praias, temos uma em especial chamada de Barra do Jacuípe.  Praia com encontro do rio. Geralmente contratamos um barqueiro que nos leva a outra margem,  onde passamos o dia e no final da tarde  o mesmo vem nos buscar.

    Entre um drink e outro durante o dia, ficamos bebendo dentro da água e percebemos que a areia estava repleta de mariscos, o que me veio logo a idéia de aproveitar que estava na água, para ficar catando os mariscos e guardando em um copo. Logo o mesmo estava cheio e precisamos de outro recipiente. Ao voltar para casa, decidi preparar este prato tão simples mais ao mesmo tempo marcante. 

Margem de praia barra de Jacuípe -BA.

    Tudo bem que quase ninguém vai fazer o que eu fiz, de ficar na areia da praia catando mariscos, porém  ao comprar os mesmos, devemos ficar muito atentos ao quanto é fresco e de boa procedência. Tenha certeza que as conchas estejam fechadas e que não abram com facilidade. Esta característica evidência que os mesmos são frescos.  Lavar bem as conchas com água fresca usando uma escova. Pode ser usado mariscos sem as cascas,  mas acredite; o sabor não chega nem perto que cozinhar em seu próprio sumo.

    Uma vez passado esta etapa,  vamos para a próxima. 

Mariscos frescos lavados e escovados

    A escolha da massa acaba refletindo na aparência do prato e o quanto da massa terá contato com o molho, absorvendo seu sabor. Por este motivo escolhi o Linguine. Para quem não conhece os tipos de pasta, vamos exemplificar.

    Tipo de massa fina e achatada, de comprimento semelhante ao Espaguete. Seu nome significa "pequenas línguas" e originária da Itália.

Linguine


Ingredientes:

300 g de Pasta tipo Linguine
2 copos (500 ml) de mariscos com a casca
1 cebola grande em cubos pequenos
2 tomates médios em cubos pequenos
3 dentes de alho grande fatiado finamente ou picado
1 taça de vinho branco
1/2 xícara (chá) de cebolinha finamente picada
2 colheres (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de azeite
2 colheres de queijo parmesão ralado
Sal a gosto

Modo de preparo:
  • Primeiro passo que vou pedir é que sigam as dicas intencionais da lista de ingredientes, onde já proponho que deixem tudo picado e cortado, para ganharmos tempo. Se seguir este passo básico, este prato ficará pronto em +/- 25 minutos.
  • Em uma panela grande com 2 litros de água aproximadamente, vamos por para ferver, enquanto a aguá não ferve, vamos seguindo a receita do refogado que passaremos a seguir.
  • Enquanto a água ferve vamos refogar os demais ingredientes em uma panela de altura média (suficiente para refogar ingredientes e acrescentar a massa no final).
  • Derreter a manteiga junto com o azeite, acrescentar a cebola picada e refogar até a cebola ficar dourada; em seguida adicionamos o alho que não pode demorar refogando, evitando que seu gosto fique amargo.  Adicionar em seguida a cebolinha para refogar até as folhas murcharem, em seguida adicionamos os tomates picados, quando começar a amolecer os tomates, devemos adicionar os mariscos com casca e refogar até iniciar a abrir as conchas. Sempre mexendo.  Adicione o vinho e espere cozinhar um pouco para que o mesmo evapore o álcool e incorpore o sabor. Utilizar o sal a gosto.
  • Após a água ferver, devemos por um pouco de sal, recomendo que experimente a água que deve ter um sabor parecido como a água do mar. Inserir a pasta na água e mexer sem parar, soltando os fios da massa, evitando que grudem uma nas outras, o tempo necessário para massa começar a perder a forma rígida (se a massa for seca). Se usar massa fresca, deve-se ter o cuidado de por a massa aos poucos, soltando com um garfo em seguida.
  • Tempo de cozimento gira em torno de 12 min para massa seca e 8 minutos para massa fresca. Mesmo assim é uma referência que muda conforme padrão da massa escolhida. Melhor referência é provar a massa.


Mariscos refogados ao vinho


  • Escorrer a massa e por diretamente na panela com os demais ingredientes já refogados, misturando bem para que o molho incorpore na massa.
  • Empratar a massa e ralar queijo parmesão por cima para finalizar.

Linguine com Marisco Fresco

Dicas:
  • Primeira dica é não adicionar óleo ou azeite na água da massa acreditando que vai evitar grudar.
  • A melhor forma de saber se a massa está no ponto é quando você prova a massa, o centro ainda está um pouco esbranquiçada. Reforço que após escorrer da água, o calor continua a cocção e se considerarmos um pouco mais de calor quando for incorporar o molho na frigideira, deve ser considerado como tempo final de cozimento. Nunca esperem a massa ficar mole demais. Caso contrário, teremos uma "gororoba", nem um pouco agradável.
  • Não tenham medo de se lambuzar e pegar as conchas com as mãos. Não será falta de educação.
  • Mais um conselho. Esta massa cai muito bem se tiver uma boa companhia e uma taça de vinho, que pode ser a mesma usada no cozimento. Portanto, não economize no vinho. Quanto melhores os ingredientes, melhor será o sabor.

4 de jul. de 2016

Tomate para Molho

    Não tem como chegar na casa de minha mãe ou de minha vizinha dona Lúcia (posso chamar de segunda mãe), e não encontrar pelo menos um pote de molho de tomate feito em casa. Acredito até que minha mãe foi muito influenciada a fazer através de nossa vizinha, que sempre reclamou de um refluxo gastroesofágico e devido a isso tem uma alimentação mais alcalina. Esta não será a única vez que vou falar de Dona Lúcia,  uma vez que a mesma faz parte da família Sousa Leão, do qual temos o famoso e regional bolo Sousa Leão, classificado como patrimônio imaterial. Mas vamos por partes.

Podemos dizer que o mais importante para se cozinhar seria conhecer bem cada ingrediente utilizado. Quanto mais usamos e conhecemos algum ingrediente, mais intimidade temos com o mesmo e podemos utilizar e misturar com outros. Dentre os ingredientes atuais, poucos tem a versatilidade e a capacidade de dar sabor, cor e textura como o tomate.

    Se fossemos tratar de tipos diferentes e formas de uso, seria um texto tão grande, que prefiro tratar de forma diferente, de como utilizar de forma básica tal ingrediente tão adorado. Saladas, desidratados, defumados, molhos, ... quase que diariamente utilizamos em algum processo na cozinha.

Espaguete ao sugo

    Existem vários tipos de tomates, mas o que  vamos tratar aqui neste post será o do tipo italiano, mais indicado para molhos. De aparência mais alongada,  bem vermelho quando maduro e com poucas sementes. Uma acidez um pouco menor que alguns outros tipos de tomate, seria este o tipo mais indicado.

Segue imagem ilustrativa para facilitar a identificação.
Tomate tipo italiano

    Lembrete importante seria informar que o tomate é um dos produtos agrícolas que mais recebem agrotóxicos. Se for possível recomendamos o uso de tomates orgânicos. Caso não consiga, uma parte deste agrotóxico pode ser eliminado com a retirada da pele. Conforme instruções a seguir.

    Primeiro passo para retirar a pele é ferver água em panela grande, fazer um pequeno corte na extremidade do tomate em formato de "X". Quando a água estiver fervendo, imergir os tomates por cerca de 4 minutos. Escorrer com peneira e mergulhar em água gelada, com gelo se possível. Com a ajuda de uma pequena faca, retirar a pele que se desprenderá facilmente. Os tomates ficarão conforme imagem abaixo.

Tomate pelado

    Neste ponto os mesmos podem ser envazados para consumo posterior, desde que seja refrigerado ou congelado. Esta forma é comum ser encontrado em supermercado enlatados e na maior parte na seção de importados.

    Para fazermos o molho, precisamos tirar as sementes, que são pouco digestas e que irão conferir sabor pouco agradável. Ficará com este aparência.

Tomate pelado sem sementes

    Estes tomates limpos e retirados as sementes, se picados são chamados de "concassé " que podem ser usados de diversas formas, como em saladas, em uma massa fria acrescidas de embutidos... porém vamos dar mais um passo.

    Em uma panela funda e fogo baixo, acrescentar o correspondente a duas colheres de sopa cheia de azeite, por os tomates e refogar. Após 5 minutos devemos acrescentar água até cobrir os tomates e deixar cozinhar bem até que amoleçam,  se necessário acrescentar um pouco mais de água. Quando bem cozidos, deve-se adicionar uma colher de açúcar (para encobrir a acidez dos tomates) e mais uma boa colher de azeite e se disponível um pouco de tomilho que pode ser fresco ou desidratada. Neste ponto não costumo temperar com alho ou qualquer outro ingrediente, incluindo o sal, para não alterar o PH do molho. Se quiser um molho rústico,  pode usar desta forma.

    Se preferir um molho com acabamento mais liso, pode fazer de duas formas, usar um passador de tomates, muito tradicional na cozinha italiana ou bater em um processador ou liquidificador e depois em uma peneira. Quanto mais secar ao fogo, mais encorpado ficará. Sobre a cor, pode mudar de acordo com as cores dos tomates. Não espere encontrar cores fortes no molho caseiro, mas terão muito sabor e a certeza de que estão ingerindo algo natural, sem conservantes e de sabor muito melhor que os industrializados.


Molho de tomates rústico

Passador de tomates


29 de jun. de 2016

Bolo Pé de Moleque - Escuro com Castanhas



    Mês de Junho no Nordeste temos muito a comemorar, principalmente em anos que a seca é amena. Iniciamos a colheita de milho que foi plantado no outono, como principal ingrediente dos festejos juninos. Além disso, temos 3 Santos com datas comemorativas distintas, Santo Antônio, São João e São Pedro. Apesar de a comemoração ser nacional, cada estado tem uma cultura um pouco distinta das demais, de comidas, bebidas e hábitos. Neste post não vamos falar do milho, mas de um bolo muito consumido no estado de Pernambuco, neste período do ano.

    O bolo é conhecido como Pé de Moleque, mas por incrível que pareça, existem diversos bolos com o mesmo nome. Este é chamado de pé de moleque por ser um bolo escuro, como os pés de crianças descalças que correm soltos nos vilarejos de chão batido. Cada um tem uma receita distinta porém, em ambos serão encontrados alguns ingredientes básicos que caracterizam os sabores e cheiros de Melaço, café, Castanha e especiarias. Ornado de castanhas de caju sobre o topo do bolo, é impossível não reconhecer.
Abaixo segue sua receita que acompanha muito bem com uma xícara de café.

Ingredientes:

500 g de açúcar mascavo ou rapadura triturada
2 ¹/² xícaras (chá) de água
1/2 colher (sopa) de Café em pó solúvel
1/2 colher (sopa) de Canela em pó
1/2 colher (sopa) de Cravo triturado
1/2 colher (sopa) de Erva-doce triturada
1/2 xícara (chá) de manteiga
4 ovos
1/2 colher (chá) de sal
1 kg de massa de mandioca úmida e peneirada
2 xícaras (chá) de leite de coco
3 xícaras (chá) de castanha de caju (torrado e triturado (farinha de castanha)
100 g de castanhas de caju inteiras para decorar
50 g de farinha de trigo para polvilhar a forma do bolo.

Modo de preparo:
  • Pré aquecer o forno em temperatura média de 200º C.
  • Untar uma forma de bolo com manteiga e polvilhar a farinha de trigo para que possa soltar da forma facilmente, preferencialmente uma forma de furo central, como uma forma de pudim. Caso não tenha pode ser utilizado uma forma estilo assadeira.
  • Refogar em uma frigideira o cravo da índia e a erva-doce, em fogo baixo até desprender o cheiro destas especiarias.
  • Bater no liquidificador o açúcar mascavo com a água, café, canela, cravo e erva-doce.
  • Voltar esta mistura ao fogo até ferver e tornar-se uma calda. Acrescente a manteiga e deixe esfriar, este processo fará com que os sabores das especiarias se acentuem. Ao esfriar, deve ser peneirado para tirar os pedaços de cravo e erva doce que não são agradáveis para algumas pessoas ao mastigar.
  • Bater os ovos inteiros com o sal até espumar. Não precisa se preocupar em criar muita espuma, pois a característica deste bolo é ser mais firme e úmido. Acrescentar manualmente a massa de mandioca, com ajuda de uma colher. Aos poucos vá acrescentando o leite de coco até tornar-se uma única massa, volte a acrescentar a calda, já fria neste momento, ao final devemos acrescentar o último ingrediente, a castanha triturada. Misturar até ficar uniforme.
  • Despejar aos poucos a massa na forma de bolo já untada de manteiga, decorar a parte superior do bolo com as castanhas inteiras, de forma aleatória ou ordenada, desde que queira manter um padrão. Levar ao forno por um tempo médio de 1 hora e 40 minutos.
Conselho importante: Como cada forno tem um comportamento diferente e o tamanho da forma e modelo podem influenciar no tempo. Checar se o bolo está pronto 20 minutos antes. Utilizando um palito de madeira. Ao puxar, o palito deve apresentar pouca massa aderida a madeira. Caracterizando que o bolo está cozido. Se estiver, bom, pode retirar do forno e esperar esfriar. Caso ainda esteja crú, pode deixar por mais 20 minutos, mas deve checar a cada 10 minutos até checar o cozimento necessário. O bolo deve ser desenformado e servido com as castanhas visíveis na parte superior.

Aproveitem bem esta receita.

23 de jun. de 2016

Munguzá ou Canjica (no Sul e Sudeste do Brasil)

Munguzá

Se existe uma lembrança boa de infância era acordar cedo e se perguntar o que teríamos para o café da manhã. Meu sempre dizia que a principal refeição do dia era o desjejum. Minha mãe sempre variava o cardápio, mas na maioria da vezes com um cardápio bem regional. Um dos pratos era o Munguzá (no sudeste do Brasil é chamado de Canjica). O que ficava impressionado era com a disposição que minha mãe acordava cedo para preparar este prato, uma vez que o milho não cozinha tão rápido. Na verdade acordar cedo já era um costume e se segue até hoje.
"Comer como um Rei, almoçar como um Príncipe e jantar como Plebeu"
 Ingredientes:

500 gr de milho descascado próprio para este uso
2 Xícaras (chá) de açúcar
1 pintada de Sal
1 canela em pau
200 ml de leite de coco
2 L de água

Modo de preparo: 

  • Deixar o milho de molho na água, preferencialmente por 8 horas. Lavar o milho e trocar a água até perceber que a mesma está ficando translúcida (soltando pouco amido).
  • Cozinhar em uma panela de pressão grande (3 litros), a água, o milho, o pau de canela e a pintada de Sal. Deve cozinhar por aproximadamente 40 minutos em fogo médio.
  • Após tirar a pressão da panela, acrescentar o açúcar e leite de coco. Voltar ao fogo medo e deixar ferver por 5 minutos. Se achar necessário, pode acrescentar um pouco mais de água para encontrar a consistência que achar mais agradável. Algumas pessoas gostam de comer ele como um caldo, outros como uma papa. Esta receita não fica muito doce, portanto caso ache necessário, pode adicionar mais açúcar.

Dicas:

  • A receita pode ser incrementada acrescentando 1 lata de leite condensado e COCO ralado (pode ser o seco). Ao esfriar este prato tende a ficar com consistência mais sólida, devido ao amido presente no milho. Basta acrescentar um pouco de água ou leite de vaca e esquentar que ele volta ao normal.
  • Seguir o passo a passo de cozimento, será mais rápido. Nâo cozinhem todos os ingredientes juntos na panela de pressão acreditando que vai ganhar tempo. Pode acabar grudando todo o milho no fundo da panela. Caso não tenha panela de pressão, pode fazer em panela normal, mas informo que demora um pouco mais.
  • Só acrescentar o açúcar e leite de COCO após o milho estar ao dente.

Aproveitem. 

22 de jun. de 2016

Manjar de Coco com calda de ameixa

Manjar de coco com calda de ameixa

De tanto amor, morri!

    Soa engraçado dizer esta frase, mas descobri ainda cedo que não se pode ter tudo na vida de uma única vez. Vamos aos fatos...

    Em minha casa éramos quatro. Minha mãe,  meu pai, minha irmã mais nova e claro, eu. Além disso meu pai tinha os filhos do seu primeiro casamento, que eram três, porém mais velhos e já independentes. Um deles, o mais novo, tinha casado recentemente e ainda estava curtindo a sua lua de mel.  

    Meus pais frequentemente viajavam. Em uma dessas viagens, para visitar parentes na Áustria, como não encontraram uma pessoa para ficar conosco pediram para os recém casados cuidarem de nós,  em um período aproximado de 1 mês. Por enquanto tudo tranquilo e sem surpresas; foi até muito legal este período.

    Como acontece na maioria dos casamentos, as mulheres costumam agradar seus maridos cozinhando algo diferente. Neste caso era um doce conhecido como Manjar de Coco. Este doce é tipo um flan, porém  feito com leite de coco, em formato de pudim e regado com calda de ameixa em conserva. Sobremesa simples e sem mistérios.

    Acordava cedo, ia para escola, voltava na hora do almoço e ...
No primeiro dia que chegamos da escola,  já sinto aquele cheiro forte e gostoso de doce (ao cozinhar o leite de coco, o cheiro se espalha na cozinha). Após o almoço,  comemos o primeiro Manjar. Isto se repetiu nos dias seguintes... Segundo dia, terceiro,  quarto, quinto...
Os dias se seguiam e continuávamos comendo Manjar. Era praticamente um por dia!

    Não sei exatamente quantos dias se repetiram, mas um belo dia quando chego em casa e sinto o cheiro do leite de coco, fiquei um pouco nauseado. Tomei meu banho, guardei os livros e fui almoçar. O almoço estava tranquilo, mas quando vejo aquele Manjar e provo a primeira colherada, nossa... meu mundo parou. Não consegui engolir. Passei mal, muito mesmo e foi quando percebi que minha cota de manjar de Coco tinha acabado.  Criei uma total aversão a este prato, mesmo tendo uma paixão tão forte.  Acredito que não era amor, era paixão e logo se acabou.

    Vai uma receita de Manjar, simples, fácil e rápida de fazer. Espero que gostem e recomendo que não o façam com tanta frequência,  mas não deixem de provar.

Receita:

Para o Manjar
1 lata de leite condensado light 410g
1 medida de leite de coco (usar a mesma lata do leite condensado)
2 medidas de leite de vaca (usar a mesma lata do leite condensado) 
1/2 xícara (chá) de amido de milho

Para a Calda
1 lata de ameixa em conserva
1 unidade de canela em pau
1 xícara (chá) de açúcar

Modo de preparo:

  • Untar a forma com óleo de cozinha, para facilitar a desforma e deixar reservado.
  • Em um liquidificador adicionar o leite condensado, leite de coco, leite de vaca e o amido de milho. Bater o suficiente para incorporar o amido sem fazer espuma (se bater demais a mistura começa a espumar). Por na panela em fogo  médio e ficar mexendo sem parar até o creme começar a engrossar. Após começar a ferver, continuar mexendo por mais 5 minutos. Despejar na forma escolhida, esperar esfriar um pouco, antes por na geladeira.
  • Ferver uma xícara de água com um pedaço de pau de canela por 5 minutos, deixar em infusão por 30 minutos para incorporar bem o sabor da canela no chá. Adicionar o açúcar até derreter e tornar-se uma calda rala, acrescentar as ameixa enlatadas nesta mistura, junto com a calda e ferver por mais 5 minutos. Deixar esfriar. 
  • Após gelado, que deve levar umas 4 hora em média. Por em um refratário e decorar com a calda e as ameixas.
  • Atenção ao desformar evitando que se quebre e fique mal apresentado. Pode ser usado formas de silicone com imagens diferentes.






Rende 12 porções.

21 de jun. de 2016

Apresentação

    Já falei um pouco de minha origem, mas vamos falar um pouco do que me motivou e quais propósitos e conceitos deste Blog.

    Apesar de não ter seguido na gastronomia como profissão, sou engenheiro civil, mas nas minhas horas vagas o que costumo fazer é cozinhar. Sou autodidata e costumo fazer muitas pesquisas sobre diversos tipos de comidas e suas técnicas.
Sobre preferências de comidas, tenho diversas, Italiana, Germânica,  Árabe, Mexicana, Chinesa, Japonesa, Francesa e a Comida Regional Brasileira, tão presente em minha história e cultura preferencialmente a Nordestina.

    Como todo bom Pernambucano, influenciado pela história dos engenhos de açúcar, amo doces. Nem deveria comer tanto, considerando um histórico de diabetes na família, ...

    Minha primeira inspiração para cozinhar foi a minha mãe. Ela nunca foi de estudar ou se debruçar em livros, até porque,  cronologicamente falando, livros de culinária bons no Brasil é algo mais recente. Isso não a impediu de ousar e testar receitas.  Admirava quando ela experimentava algo e dizia o conteúdo da receita na primeira garfada. Até hoje acho graça quando ela vai começar a comer algo. A primeira garfada é sempre um ritual. Começa com a ponta da língua, depois ela vai mastigando e levando a comida por toda parte da língua, onde consegue identificar os sabores, doce, azedo, amargo... literalmente um ritual.

    Imagine tudo isso influenciado por hábitos alimentares pouco comuns. O que disseminou este desejo de minha mãe foi o fato de meu pai (padrasto) não ser brasileiro e mesmo morando a muitos anos no Brasil, tinha referências sensoriais de comidas tipicas de seu país. Originalmente da Áustria, tinha um sotaque forte, que para quem era de casa não soava estranho.

    Recebíamos muitas visitas em casa, e alguns hóspedes passavam meses. Nosso médico pediatra fazia questão de nos visitar para provar os licores de frutas que minha mãe produzia em casa e era quase certo que ao final da tarde alguém surgisse para fazer uma visita inesperada. Ou seja, a cozinha não parava.

    E assim fui crescendo, e me inspirando cada vez mais na cozinha. Este de fato é meu maior hobby, apesar de gostar muito de cinema, fazer um pouco de esportes e trabalhar bastante.

    Com estas considerações preliminares informo que este Blog será escrito em forma de memórias, não necessariamente cronológicas, mas de forma a mostrar que cada receita tem uma identidade cultural e que nos remetem a lembranças de nossas vidas. Para facilitar a identificação das receitas, teremos um menu que levará a receita, sem necessariamente passar por essas lembranças. Teremos uma área de dicas e informações técnicas que irão facilitar bastante na execução.

Sejam bem vindos!
Willkommen!

Homenagem a minha mãe Linda Santana


20 de jun. de 2016

Minha Origem

Sócrates Gonçalves

Pois bem,

    Aqui estou me apresentando. Sócrates Gonçalves,  natural de Vitória de Santo Antão. Pequena cidade da região da zona da mata de Pernambuco. Muito influenciada pelos engenhos de açúcar, plantações e moinhos de mandioca e por ser uma das cidades que abastecem a região metropolitana da capital Recife com frutas e verduras.

Mapa do estado de Pernambuco com localização da cidade.

Foto antiga da estação ferroviária.

    Foi nesta cidade que passei boa parte de minha infância e adolescência. Cidade do interior, onde a agricultura e comércio sempre foram os pontos fortes. Existiam muitas olarias espalhadas no entorno da cidade, muitas destas já fecharam, mas o maior ícone da cidade ainda é a fábrica de Água Ardente Pitú. Tenho uma boa história de uma cachaça que tomei com uma tia e uma prima. Tipo, só de lembrar você quer esquecer, mas acaba caindo na gargalhada sozinho. Talvez eu conte este fato em algum momento.

Imagem ilustrativa da fábrica de cachaça da cidade.

    O que seria de uma cidade de interior sem as famosas praças  da cidade, onde todos se encontram após as missas, onde todos conhecem os padres das igrejas católicas. Onde anualmente temos as festas dos padroeiros e a comemoração com um parque de diversões itinerante. Na cidade, os católicos tinham 2 grandes igrejas, a igreja da Matriz e a igreja do Livramento. Porém, a matriarca da família, minha bisavó Severina,  fazia parte da igreja Anglicana. Neste sentido, minha educação religiosa foi bem diversificada, mas sempre muito cristã.

    Segue abaixo a minha primeira homenagem. Esta matriarca (bisavó) que infelizmente não está presente entre nossa família,  mas deixou grandes marcas de uma lutadora.

Dona Severina ou Dona Biu.

    Faço questão de compartilhar um pouco de minha história para que possam entender como tudo isso influenciou na pessoa que sou hoje. Um homem não pode ter um futuro, se não conhecer seu passado.

Drink Pinarol

Pinarol

    Vamos iniciar este Blog com um Drink para brindar as novidades que deverão surgir daqui para frente. Como estamos começando do Zero, nada mais Justo que uma bebida autoral. E acreditem, fácil, rápido e requer poucos ingredientes. O nome foi sugestivo, Pina + Aperol, nem sempre a criatividade ajuda, sabemos bem disso, porém se vocês testarem esta receita e gostarem, podem sugerir um novo nome, quem sabe não tenhamos um novo nome de batismo.

Ingredientes:
  • Abacaxi fresco - 1 abacaxi pequeno
  • Açúcar - 4 colheres (sopa)
  • Gelo - Suficiente para encher 2 copos de gelo
  • Aperol - 2 doses
Modo de preparo:

  • Macerar o abacaxi com o açúcar até dissolver o açúcar e extrair o sumo da fruta.
  • Adicionar o gelo e o Aperol. Misturar bastante até gelar o drink.
  • Usar uma taça Flute, de preferência, ou um copo longo.
  • O drink pode ser peneirado caso queira um aspecto mais clean.
  • Porém gosto da textura da fruta.
  • Decorar o copo com uma folha do abacaxi.
Dicas:
  • Se preferir um drink mesmo doce e o abacaxi esteja bem maduro, podem ignorar o açúcar, ou podem substituir por um adoçante de sua preferência. Não vai ajudar a perder peso, mas diminui a quantidade de ingestão calórica.
  • Caso tenha um evento mais sofisticado, sugiro que peneirem o drink, tirando a poupa do abacaxi. Particularmente gosto de comer a fruta que fica no copo, mas nem toda ocasião vai permitir esta informalidade.


Servem dois drinks